segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Cantiga do "cego ladrão"
"Era meia-noite quando o ladrão veio,
deu três pancadinhas à porta do meio.
Acorde, minha mãe,meu pai está dormindo;
é um triste ceguinho à porta pedindo.
Levanta-te, minha filha,desse leito de linho,
vai abrir a porta ao triste ceguinho;
Se ele tiver fome, dá-lhe pão e vinho,
se ele não quiser, que siga o seu caminho.
Não quero o seu pão, nem quero o seu vinho,
só quero que a menina me ensine o caminho.
Pega tu, Maria, na roca e no linho,
ensina o caminho ao triste ceguinho.
Acabou-se a roca, despiou-se o linho;
adiante, cego, que lá vai o caminho.
Venha, menina Aninhas, mais um bocadinho.
sou curto da vista, não vejo o caminho.
Venha, menina Aninhas, mais aqui, mais além,
sou curto da vista, já não vejo bem.
Valha-me Deus e Santa Maria!
que gente é aquela de cavalaria?
Meta-se, menina Aninhas, debaixo da minha capinha.
deixe passar a gente que vem da romaria.
Valha-me Deus e Santa Maria!
que cego é este de tanta valia?
Espada à cinta, oiro que alumia!.
O oiro é seu, a espada é minha,
sois minha mulher, coroada rainha.
Chegou-se o cavalo mais a cadeirinha,
a filha do nobre já era rainha.
Adeus, minha terra, adeus, triste aldeia;
meu pai e minha mãe que tanto me falseia!
Adeus, minha terra, terra dos olivais;
adeus, minha aldeia, para nunca mais. "
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