Lengalengas,contos e histórias do passado

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A formiga e a neve


Uma formiga prendeu o pé na neve.

–Ó neve! tu és tão forte, que o meu pé prendes!

Responde a neve:
–Tão forte sou eu que o Sol me derrete.

–Ó sol! tu és tão forte que derretes a neve que o meu pé prende!

Responde o Sol:
–Tão forte sou eu que a parede me impede.

– Ó parede! tu és tão forte que impedes o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde a parede:
–Tão forte sou eu que o rato me fura.

–Ó rato! tu és tão forte que furas a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o rato:
–Tão forte sou eu que o gato me come.

–Ó gato! tu és tão forte que comes o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o rato:
–Tão forte sou eu que o cão me morde.

–Ó cão! tu és tão forte que mordes o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o cão:
–Tão forte sou eu que o pau me bate.

–Ó pau! tu és tão forte que bates no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o pau:
–Tão forte sou eu que o lume me queima.

–Ó lume! tu és tão forte que queimas o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o lume:
–Tão forte sou eu que a água me apaga.

–Ó agua! tu és tão forte que apagas o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde a água:
–Tão forte sou eu que o boi me bebe.

–Ó boi! tu és tão forte que bebes a água, que apagas o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o boi:
– Tão forte sou eu que o carniceiro me mata.

– Ó carniceiro! tu es tão forte que matas o boi, que bebes a água, que apagas o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o carniceiro:
–Tão forte sou eu que a morte me leva.



"Por aquela serra acima, vinte cinco cegos vão,
Cada cego com o seu moço, cada moço com o seu cão,
Encontrou uma perdiz, era magra não a quis
Encontrou um perdigão, tus tus cão."




"Aí vai o Zézito
A cavalo num burrito
O burrito é fraco
A cavalo num macaco
O macaco é valente
A cavalo numa trempe
A trempe é de ferro
A cavalo num martelo
O martelo bate sola
A cavalo numa bola
A bola é redonda
A cavalo numa pomba
A pomba é branca
A cavalo numa tranca
A tranca partiu e a pomba fugiu."


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cantiga do "cego ladrão"



"Era meia-noite quando o ladrão veio,
deu três pancadinhas à porta do meio.
Acorde, minha mãe,meu pai está dormindo;
é um triste ceguinho à porta pedindo.
Levanta-te, minha filha,desse leito de linho,
vai abrir a porta ao triste ceguinho;
Se ele tiver fome, dá-lhe pão e vinho,
se ele não quiser, que siga o seu caminho.
Não quero o seu pão, nem quero o seu vinho,
só quero que a menina me ensine o caminho.
Pega tu, Maria, na roca e no linho,
ensina o caminho ao triste ceguinho.
Acabou-se a roca, despiou-se o linho;
adiante, cego, que lá vai o caminho.
Venha, menina Aninhas, mais um bocadinho.
sou curto da vista, não vejo o caminho.
Venha, menina Aninhas, mais aqui, mais além,
sou curto da vista, já não vejo bem.
Valha-me Deus e Santa Maria!
que gente é aquela de cavalaria?
Meta-se, menina Aninhas, debaixo da minha capinha.
deixe passar a gente que vem da romaria.
Valha-me Deus e Santa Maria!
que cego é este de tanta valia?
Espada à cinta, oiro que alumia!.
O oiro é seu, a espada é minha,
sois minha mulher, coroada rainha.
Chegou-se o cavalo mais a cadeirinha,
a filha do nobre já era rainha.
Adeus, minha terra, adeus, triste aldeia;
meu pai e minha mãe que tanto me falseia!
Adeus, minha terra, terra dos olivais;
adeus, minha aldeia, para nunca mais. "